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Pressão e Impacto Sobre as Florestas

Publicado: Quarta, 04 de Abril de 2018, 12h57 | Última atualização em Segunda, 09 de Abril de 2018, 20h26 | Acessos: 1597 | Categoria: Conhecendo Sobre Florestas

Atividades econômicas e demandas sociais provocadas pelo crescimento da população competem por espaço com as florestas, exercendo enorme pressão sobre elas. As principais atividades responsáveis pela pressão sobre as florestas são:

  • Agropecuária
    A pecuária é a atividade que mais contribui para o desmatamento da Amazônia. Até 1995, 78% da área desmatada na Amazônia era ocupada por pastagens . O crescimento do rebanho bovino na região aponta para uma tendência de expansão da pecuária e, consequentemente, maior pressão sobre as florestas. O rebanho aumentou de 27 milhões de cabeças em 1990 para em torno de 71 milhões em 2004. Isso equivale a uma taxa de crescimento de 7,5% ao ano, enquanto que nos outros estados brasileiros a taxa ficou em torno de 1%.

    A agricultura tem participação menor, porém crescente no avanço do desmatamento, especialmente em Mato Grosso. Os principais cultivos agrícolas são soja, arroz e milho. A área plantada de soja na Amazônia cresceu de forma expressiva a partir de 2000, passando de 2,1 para 51 mil quilômetros quadrados em 2004, segundo dados do IBGE. Essas plantações estão concentradas nos Estados de Mato Grosso e Maranhão. Entre 2001 e 2004, foi registrado o avanço das áreas de cultivo (especialmente soja) sobre as florestas em Mato Grosso. Um total de 5,4 mil quilômetros quadrados de florestas foi desmatado para plantações, de um total de 33,2 mil quilômetros quadrados desmatados nesse período em Mato Grosso.

  • Exploração Ilegal de madeira
    A supressão de vegetação natural é possível quando respeitadas as Áreas de Preservação Permanente (APP) e as Reservas Legais (RL), mediante autorização do órgão ambiental competente, como previsto no Código Florestal Brasileiro. Qualquer atividade de supressão de vegetação sem autorização do poder executivo é considerada ilegal e passível de sanções.

    A exploração madeireira ilegal e predatória e o desmatamento para conversão da terra para uso agropecuário sem autorização legal são as atividades que exercem maior pressão sobre as florestas brasileiras. Essa forma de exploração, praticada de forma predatória, contribui para a degradação florestal, aumentando a suscetibilidade das florestas às queimadas e o risco de extinção local de espécies e reduzindo a área do dossel das florestas e dos seus estoques de biomassa. Embora o volume de madeira extraído na Amazônia tenha caído de 28,3 milhões de metros cúbicos em tora em 1998 para 24,5 milhões de metros cúbicos em tora em 2004, a atividade continua avançando sobre as áreas florestais mais interiores da Amazônia (LENTINI et al., 2005). Além de degradar a floresta, a atividade madeireira ilegal catalisa o desmatamento com a abertura de estradas que facilitam a ocupação espontânea e o desmatamento subsequente.

  • Mineração e Garimpo
    A mineração industrial gera impacto local direto sobre as florestas como, por exemplo, o desmatamento e a contaminação com resíduos químicos e rejeitos da própria mineração. Sem planejamento, a mineração industrial pode atrair grandes fluxos migratórios e contribuir indiretamente para o aumento do desmatamento nas áreas ao redor desses projetos. Além disso, o processamento do minério requer uma grande quantidade de energia. Isso exige a construção de hidrelétricas e pode demanda uma grande quantidade de madeira para carvão vegetal, como é o caso da indústria de ferro gusa. Por exemplo, em 2004, a produção de ferro-gusa foi de 4,8 milhões de toneladas, o que requereu 5 milhões de toneladas de carvão vegetal. Em 2004, no Estado do Pará, foram utilizados 5 milhões de metros cúbicos de carvão vegetal na produção de gusa. Para produção desse montante de carvão vegetal, estima-se que foram utilizados entre 12 e 14 milhões de metros cúbicos de madeira em tora.

    Embora cause menos impacto nas florestas, a mineração garimpeira afeta diretamente as margens dos rios com o desmatamento e o assoreamento. Além disso, a garimpagem indiretamente catalisa o desmatamento com a construção de estradas, o aumento do fluxo migratório. Os garimpos também geram impactos nos rios, contaminando-os com mercúrio e cianeto de sódio e aumentam a turbidez da água. Os garimpos tiveram seu auge no final dos anos 1980, na região da Serra Pelada, em Marabá do Tapajós, no Estado do Pará. Na Província Mineral do Tapajós, um total de 500 garimpos de ouro foram mapeados pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais - CPRM e pelo IBGE na década de 1990. Nos últimos anos, está ocorrendo um aumento de garimpos na Amazônia, em particular na região do Apuí, no Amazonas, mas sua extensão e impactos ainda não foram documentados. Atualmente, existem sinais de novos garimpos como no extremo norte do Mato Grosso e na fronteira do Amapá com a Guiana Francesa.

  • Incêndios e queimadas
    Incêndios florestais são distúrbios causados por fogo, independentemente se iniciado dentro ou fora da floresta. Podem ter causas naturais, como raios durante tempestades. Entretanto, as principais causas são as atividades antrópicas, como a queima de áreas agrícolas para limpeza ou mesmo incêndios causados com intenção criminosa.

    Para que um incêndio aconteça, são necessários três elementos que compõem o chamado triângulo do fogo: Oxigênio, Combustível e Calor. Condições climáticas de baixa umidade associados a intenso calor e alta disponibilidade de matéria orgânica (combustível) são muito favoráveis a incêndios. Por essa razão, os sistemas de monitoramento de focos de calor das florestas brasileiras ficam em alerta durante toda estação de estiagem.

    Os incêndios podem ser classificados da seguinte maneira:

    - Incêndio de superfície: queima da camada de material orgânico na superfície do solo; é o tipo de fogo que ocorre com maior frequência.
    - Incêndio subterrâneo: queima de material orgânico nas camadas subsuperficiais do solo; a profundidade depende do grau de decomposição e umidade da matéria orgânica, podendo atingir até 1 metro; este tipo de incêndio apresenta problemas para controle, pois a identificação dos focos de fogo é difícil.
    - Incêndio de copa: em condições de menor umidade e maior disponibilidade de material combustível, o incêndio de superfície pode atingir as copas e neste caso se espalha independentemente, passando de copa a copa rapidamente em florestas de coníferas; devido à altura em que ocorre é muito difícil de controlar; geralmente é o tipo de incêndio que causa mais prejuízos.

    Além de causar perdas materiais, os incêndios comprometem os serviços ambientais (Bens e serviços da floresta) prestados pelas florestas, empobrecendo e expondo o solo, destruindo habitats de animais e plantas e emitindo grande quantidade de gás carbônico na atmosfera, contribuindo ainda mais para o aquecimento global. As queimadas e incêndios florestais são as principais responsáveis pela emissão de gases do efeito estufa pelo Brasil.

  • Estradas
    A abertura de estradas catalisa grande parte da pressão sobre as florestas. Cerca de 80% do desmatamento está concentrado em um raio de 50 quilômetros das estradas oficiais. Além disso, estradas não-oficiais facilitam o acesso de madeireiros e garimpeiros e a ocupação espontânea de terras da região. Um levantamento utilizando imagens de satélite feito pelo Imazon identificou aproximadamente 173 mil quilômetros de estradas não-oficiais no bioma Amazônia até 2003. Entre 1990 e 2001, 15 mil quilômetros de estradas foram abertas na região da Terra do Meio, Estado do Pará, com taxa anual média de 1,3 mil quilômetros por ano . As estradas estão concentradas na região do Arco do Desmatamento, nas adjacências de assentamentos e, mais recentemente, em áreas de novas fronteiras de ocupação como a Terra do Meio, a região da BR-163 que liga Santarém-PA a Cuiabá-MT, e no noroeste de Mato Grosso.

  • Hidrelétricas
    As hidrelétricas também causam grandes impactos na floresta com o potencial de inundar milhares de quilômetros quadrados dessas áreas, além de catalisar a migração populacional. Por exemplo, as hidrelétricas de Tucuruí e de Balbina cobriram uma área predominantemente formada por florestas de 2,34 mil quilômetros quadrados e 2,36 mil quilômetros quadrados, respectivamente. Além disso, as hidrelétricas são fontes de gases de efeito estufa como o metano  e afetam a fauna pesqueira. Os rios da Amazônia têm um enorme potencial para produzir energia - dez hidrelétricas foram planejadas no Programa Avança Brasil. O potencial hidrelétrico da região é de 130 mil megawatts, segundo o Ministério de Minas e Energia - MME. Portanto, o impacto das hidrelétricas previsto para a região é muito maior do que o já registrado pelas hidrelétricas em funcionamento.

  • Crescimento populacional
    A população da Amazônia aumentou de 4 milhões em 1950 para 22,5 milhões de habitantes em 2004. A partir da década de 1990, a população urbana cresceu em relação à rural, e, em 2004, 73% já se encontrava nas áreas urbanas. A diminuição da população rural não favoreceu a queda nas taxas de desmatamento da Amazônia. Por outro lado, há fortes indícios de que o crescimento dos centros urbanos leva a um aumento da pressão nos remanescentes de florestas num raio de 20 quilômetros a partir desses centros. Os remanescentes florestais sofrem pressão do desmatamento - e consequente fragmentação das florestas - e da degradação devido à exploração madeireira e aos incêndios florestais, o que leva ao empobrecimento da fauna e da flora. Enquanto as pressões sociais que geram desmatamento - exploração madeireira e queimadas - já estão sendo monitoradas e bem documentadas, as pressões abaixo do dossel das florestas não são conhecidas. Essas últimas incluem caça, invasão de espécies exóticas, queimada rasteira no sub-bosque, coleta de frutas e recursos florestais não-madeireiros, entre outras.

  • Assentamentos rurais
    Até 2002, a área total de assentamentos rurais na Amazônia era de 230.858 quilômetros quadrados, o equivalente a 1.354 assentamentos. Entre 1995 e 2002, cerca de 50 mil famílias foram assentadas anualmente na Amazônia. A área total desmatada nos assentamentos criados até 2002 é de 106 mil quilômetros quadrados, ou seja, 46% da área total dos assentamentos. Isso representa 15% do desmatamento total da Amazônia. Além do desmatamento, os assentamentos contribuem para o empobrecimento das florestas devido à exploração dos recursos madeireiros e não-madeireiros e à fragmentação e queimadas florestais. Além desses impactos, os assentamentos exercem uma forte pressão nas florestas adjacentes, mas não há estudos quantitativos sobre esses impactos. A partir de 2005, quase uma centena de novos assentamentos, principalmente na modalidade de Projeto de Desenvolvimento Sustentável - PDS, foram criados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária - INCRA na Amazônia.

Essas pressões geram impactos ambientais, sociais e econômicos, os quais, por sua vez, afetam a estrutura e a composição das florestas. Esse estado pode ser medido por indicadores com a magnitude dos impactos e as fontes de pressão sobre as florestas. As principais atividades responsáveis pelos impactos sobre as florestas são:

  • Desmatamento
    As taxas anuais variam de 10 a 29 mil quilômetros quadrados. As taxas médias para as décadas de 1980, 1990 e para o período de 2000-2005 foram de 19,4 ( /- 2), 16,3 ( /- 5) e 21,7 ( /- 4) mil quilômetros quadrados, respectivamente. Uma área de 680 mil quilômetros quadrados de florestas já foi desmatada na Amazônia.
  • Exploração madeireira
    A área afetada anualmente pela atividade madeireira na Amazônia é de 10 mil a 20 mil quilômetros quadrados.
  • Queimada
    Uma área anual de 80 mil quilômetros quadrados de florestas afetada por queimadas anualmente na Amazônia na década de 1990.
  • Biodiversidade
    Para cada 1 mil quilômetros quadrados desmatados, cerca de 2 mil aves são afetadas. No caso de primatas, o impacto é de 350 a 810 indivíduos. E entre 45 e 55 mil árvores são perdidas por quilômetro quadrado.
  • Emissões de carbono
    O balanço de carbono associado ao desmatamento e ao abandono de pastos e áreas agrícolas gera emissões na ordem de 0,2 pentagramas de carbono por ano.

Esses indicadores são úteis para a formulação de respostas (ações) específicas para mitigar essas pressões e impactos. Uma visão integrada do modelo de Pressão-Impacto-Estado-Resposta para as florestas do Brasil é apresentada na figura abaixo (Síntese das pressões e impactos e estado-respostas sobre as florestas brasileiras)

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