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Ministra quer mais brasileiros discutindo a pesquisa florestal em congresso internacional

  • Publicado: Quinta, 08 de Agosto de 2019, 20h16
  • Última atualização em Quinta, 08 de Agosto de 2019, 20h16
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Ao conhecer a programação do XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (Iufro), que será realizado em Curitiba-PR no final de setembro, Tereza Cristina desafiou: "É uma oportunidade dos cientistas brasileiros mostrarem a nossa agenda de desenvolvimento sustentável".
 

Por: Embrapa Notícias 

Um encontro realizado na manhã de terça-feira (6) selou a participação direta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no maior evento da pesquisa florestal, o Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (Iufro), que ocorre desde 1893 e neste ano chega à sua 25ª edição. Ao conhecer em detalhes a programação e os principais temas que serão tratados no evento, que será realizado entre 29 de setembro e 5 de outubro, na Expo Unimed, em Curitiba, a ministra Tereza Cristina afirmou que esta será uma oportunidade dos brasileiros mostrarem ao mundo nossa agenda de desenvolvimento sustentável.

"Nosso objetivo no Mapa é utilizar o potencial das florestas de maneira responsável, com governança, gerando riqueza para os povos que habitam nos diferentes biomas e criando uma agenda produtiva de desenvolvimento econômico e social para essas populações”, declarou. Segundo ela, o Brasil se tornou uma potência agrícola com sustentabilidade. "O Brasil tem um potencial ambiental gigantesco e é preciso exaltar mais o que temos feito, de bom e positivo, para a exploração sustentável das nossas florestas, desmitificar um pouco essa imagem de um país destruidor do meio ambiente".

A ministra lembrou que o Brasil tem a segunda maior reserva florestal do planeta, que totaliza 4 bilhões de hectares, de acordo com dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) - a maior área é da Rússia e em terceiro lugar vem o Canadá, seguido dos Estados Unidos e China. “Esses cinco países representam 54% de toda a reserva”, destacou Tereza Cristina, enfatizando que será uma honra para o País sediar um evento desse porte, que vai reunir mais de 3 mil pessoas de mais de cem países.

Mas ela ponderou que será necessário encontrar uma maneira de, nos próximos meses, aumentar a participação de mais brasileiros no Congresso, uma vez que, dos 2 mil inscritos até agora, 75% são estrangeiros.

Impacto da pesquisa florestal

O presidente em exercício da Embrapa, Celso Moretti, trouxe para o debate alguns dados sobre a pesquisa florestal brasileira. "Nas últimas quatro décadas o Brasil aumentou em 140% a produtividade do setor florestal nas culturas de Pinus e Eucalipto, aportando tecnologia e conhecimento científico", frisou, complementando que esse foi um dos grandes impactos do trabalho das instituições científicas para o setor.

Moretti também lembrou sobre como o setor florestal está presente de forma invisível na vida das pessoas. "Quando a gente pensa em setor florestal a gente quase sempre está pensando em móvel, papel, madeira. Mas se você chegar em casa e prestar atenção, descobrirá que o setor florestal está o tempo todo na sua frente, no guardanapo que você usa, na embalagem, em resinas da pintura do seu carro, no papel higiênico, enfim, está no dia a dia de todos nós", enfatizou.

Além de gerar empregos, renda e divisas para o país, as florestas ajudam o Brasil a cumprir seus compromissos internacionais, na visão do presidente da Embrapa, como, por exemplo no Acordo de Paris, para redução de gases de efeito estufa. "As árvores ajudam a sequestrar carbono e não foi à toa que a pesquisa brasileira criou e aperfeiçoou o sistema de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta, onde o componente florestal ajuda a mitigar os gases de efeito estufa. Isso também tornou possível, por exemplo, a Embrapa Gado de Corte, nossa Unidade de Campo Grande, lançar o conceito de Carne Carbono Neutro e de Carne de Baixo Carbono para certificação de produção sustentável de carne bovina", disse Moretti.

Outro exemplo citado por ele foi a contribuição que a pesquisa deu para resolver um grave problema que surgiu na década de 80 no Brasil: chegada da vespa-da-madeira, uma praga que poderia ter dizimado a produção de pinus e eucalipto no nosso território. "Pois a Embrapa, universidades e parceiros desenvolveram um método de controle biológico que controlou essa ameaça por meio de nematóides e outros parasitas", alertou.

Presente também no encontro, o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro, Valdir Colatto, chamou os representantes das instituições para participarem e mostrarem o potencial da pesquisa florestal no Brasil. "Esse congresso será um grande momento tanto para aprendermos com os outros países, como para mostrar o que o Brasil faz e o seu potencial em termos florestais".

O secretário de Agricultura Familiar e Cooperativismo do MAPA, Fernando Schwanke, trouxe um pouco da sua experiência pessoal, já que fez estágio na Áustria em uma instituição filiada à Iufro. " O recurso florestal é muito importante e deve ser utilizado com base no conhecimento científico. A Secretaria participará do Congresso apoiando uma grande exposição de produtos florestais da sociobiodiversidade brasileira, de cada um dos biomas brasileiros. São cerca de 20 milhões de brasileiros que sobrevivem dos produtos da sociobiodiversidade", argumentou.

Dados do Congresso

O XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal é promovido pela União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO), com organização local sob responsabilidade do Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e da Embrapa, e parceria da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" (Esalq/USP), Universidade Federal de Goiás (UFG), Universidade Federal de Viçosa (UFV), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Interact Comunicação, e apoio da Organização das Nações Unidas para Alimentação Agricultura (FAO), Prefeitura Municipal de Curitiba, Curitiba Convention & Visitors Bureau e Fundação Eliseu Alves.

Estará dividido em 190 sessões técnicas, das quais 17 (quase 10%) serão coordenadas por pesquisadores da Embrapa; 20 subplenárias; 10 keynote speakers (oradores principais, responsáveis por criar o clímax do evento, seja na abertura ou no encerramento); mais de 2.100 inscritos (sendo 75% estrangeiros). Além das sessões técnico-científicas, que contarão com palestrantes de importância global na área florestal, o evento terá também espaço para exposição de tecnologias, serviços e negócios direcionados à área florestal, plantada ou nativa.

De acordo com a pesquisadora da Embrapa Florestas, Yeda Maheiros, que é a vice-presidente do XXV Congresso da IUFRO, 20 centros de pesquisa da Embrapa submeteram resumos e cerca de 100 pesquisadores já estão mobilizados para o congresso. Na parte de exposição, tecnologias de oito Unidades serão mostradas aos partipantes: Embrapa Acre, Embrapa Amapá, Embrapa Amazônia Oriental, Embrapa Agrobiologia, Embrapa Informática Agropecuária, Embrapa Solos, Embrapa Florestas e Embrapa Rondônia, além da Rede Associação ILPF.

Com o tema Pesquisa Florestal e Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável, o evento pretende destacar as contribuições da ciência florestal para responder aos desafios ambientais, sociais e econômicos significativos do mundo, refletindo as diversas contribuições da comunidade de ciências florestais em toda a gama de disciplinas de ciências naturais e sociais, com ênfase especial nas principais questões e áreas de pesquisa identificadas na Estratégia 2015-2019 da IUFRO.

O Brasil concorreu com outras oito candidaturas para sediar o congresso, e a seleção se deu muito em razão do reconhecimento de membros da IUFRO de que o futuro da instituição está em promover maior disseminação do conhecimento e à integração e cooperação  sul-sul e norte-sul, conforme avalia Yeda Malheiros.

Foram escolhidos como temas dessa edição do congresso: Florestas para as pessoas; Florestas e mudanças climáticas; Florestas e produtos florestais para um futuro mais verde; Biodiversidade, serviços ambientais e invasões biológicas; e Florestas, interações com solo e água.

“Ao sediar o congresso, o Brasil terá a oportunidade de mostrar todos os avanços que tem feito na área de florestas, não apenas na área de pesquisa, mas também como o país tem construído sua capacidade de gestão de seus recursos naturais, seja desenvolvendo tecnologias que otimizem o uso das florestas, seja reduzindo o desmatamento e enfim, mostrarmos para o mundo que estamos fazendo de bom com nossas florestas”, destaca o presidente do Congresso e diretor de pesquisa do SFB, Joberto Veloso de Freitas.

“Meu sonho é que ao término desse congresso possamos deixar algumas contribuições concretas, que se tornem políticas públicas e possam vir a beneficiar os diversos atores do mundo florestal. E o mundo florestal é formado tanto pelos ribeirinhos, que estão na Amazônia, quanto pelos grandes empresários florestais que estão trabalhando na Avenida Paulista”, revela a pesquisadora Yeda Malheiros.

Incentivo a jovens pesquisadores

Joberto Veloso chamou atenção para uma ação importante promovida pela organização do congresso: o foco na atração de jovens pesquisadores para participar dos trabalhos. "É um evento que está proporcionando que muitos jovens participem e sejam contemplados. Temos um programa de voluntariado com cerca de 100 estudantes de graduação e pós-graduação que foram selecionados e que estão ganhando para participar do Congresso. Em troca vão ajudar na organização do evento em regime de escala para que possam assistir palestras também", explicou.

A Iufro tem um programa que está trazendo cerca de 70 jovens pesquisadores do mundo inteiro para vir participar do evento também. Eles chegarão uma semana antes, participarão de alguns cursos aqui no Brasil na área florestal e depois participarão do congresso. Os organizadores também lançaram um programa de monitoria, onde pesquisadores mais jovens poderão conversar com pesquisadores mais antigos sobre suas áreas de interesse.

"Como o número de participantes é muito grande, muitos desses jovens poderiam ter dificuldade para encontrar fontes de relacionamento durante o congresso, a ideia é promover encontros, onde tantos pesquisadores sêniors poderão se inscrever para atuar como mentores em suas áreas de pesquisa, ajudando a promover essa troca de experiências; como pesquisadores mais novos que desejam conhecer e conversar com colegas mais experientes", disse Veloso. A IUFRO vai cruzar essas intenções de intercâmbio e criar espaços para esses encontros científicos entre mentores e a nova geração de pesquisadores.

Outro programa é Incubadora Iufro, que incentiva o pessoal que defendeu recentemente TCC e dissertação de mestrado e doutorado a apresentarem em até três minutos os resultados do seu trabalho. "Serão três iniciativas que estão incentivando jovens pesquisadores a se tornarem novas lideranças em pesquisa florestal no Brasil e no mundo. Que sejam todos grandes parceiros desta grande aventura que será este evento", concluiu.

A Iufro

A União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal (IUFRO) trabalha há 125 anos contribuindo para a promoção e o uso da ciência na formulação de políticas públicas relacionadas às florestas, por meio de mais de 15 mil cientistas de 700 organizações membros pertencentes a mais de 126 países.

A instituição atua em nove divisões de pesquisa que envolvem 260 grupos de trabalho em diversos temas que vão desde saúde florestal, engenharia de operações florestais e manejo, produtos florestais a aspectos sociais e florestais e economia e política florestais. É uma entidade não governamental e sem fins lucrativos, que também é parte da CPF (Parceria Colaborativa em Florestas), um grupo formado no âmbito do Fórum de Florestas das Nações Unidas (UNFF) e que reúne 14 organizações internacionais, instituições e secretariados de convenções internacionais em torno da agenda global sobre florestas.

Para conhecer mais sobre a programação do XXV Congresso Mundial da União Internacional de Organizações de Pesquisa Florestal acesse: http://www.iufro2019.com/

Fonte: Assessoria de Comunicação - Embrapa Notícias

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